Nunca esta expressão teve tamanho significado, infelizmente com a conotação mais perniciosa possível. Explico: Antigamente, até que não muito antigamente, o termo "jogo de uma torcida só" no jargão futebolístico, significava apenas uma partida de futebol cuja maioria esmagadora dos torcedores pertencia a um único time, geralmente por se tratar de jogos contra times estrangeiros ou quando um time já entrava campeão na partida e o jogo era realizado somente para cumprir a tabela. Hoje em dia todas as partidas são "jogos de uma torcida só", ou seria toscamente "as torcidas são uma só". Os episódios de violência, depredação de patrimônios públicos e privados por torcedores, mortes descabidas (de quem deveria ir a um estádio para sua diversão e acaba morto), que estamos acompanhando há tempos não são mais exclusividade de torcedores de clubes ditos populares, as torcidas se igualaram por baixo, não existem mais os "pó de arroz", os times da chamada elite também abrigam bandidos uniformizados cuja ignorância e falta de civilidade levam aos estádios e adjacências suas frustrações e seu complexo de inferioridade, que deveriam ser canalizados para cobrar do Estado as medidas cabíveis para uma melhoria efetiva de suas vidas e para produzirem algo de útil 'a sociedade. Comportam-se como bárbaros, denegrindo ainda mais a imagem de nosso precário futebol, que fora das quatro linhas do campo já anda tão desgastado e capenga e impedindo os amantes desse esporte de frequentarem os estádios com suas famílias e gozar da rivalidade saudável entre os times.
Que saudade dos tempos dos "jogos de uma torcida só"
Texto: Luiz Augusto do Carmo, colaborador do Zinnerama